segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dicotomia, unicidade, pluralidade…

Ela abre a janela como que obrigada a isso… Ela sente que o ar daquele quarto não chega para tudo aquilo que ela necessita de insuflar… Olha o céu e tudo lhe parece único, ideal, novo, inédito! Nada mais existe para ela, naquele preciso momento… A lua não é vista, mas a imensidão do seu poder é sentida por ela. Ela sente-se tal como a lua, pois apesar de acompanhada pelas estrelas necessita da companhia da sua grandiosa fonte de alegria, de luz, de calor.
Fecha a janela… Faz vento lá fora! Tudo o que vê surgira naquele momento, tudo o que sente surgira naquele instante, tudo o que pensou fora original, extravagante, singelo, despretensioso… Um mundo lá fora, um mundo dentro, um mundo dentro de si e, simultaneamente, um buraco negro.
“Como estás, pequenina?”, “Queria muito dizer-te que estou bem, que sou forte, que supero tudo, mas tal não acontece….”
Tudo o que sente é dicotomia de sentimentos, sensações, sentidos… Unicidade de silêncio, escuridão, olhar… Pluralidade de desejos, forças, lágrimas…
“Que se passa contigo? Porquê que estás assim? O que te atormenta?”, “O facto de não andar atormentada até agora, o facto de o desejo se ter tornado em posse, o facto de ter de angariar aquela força…”, “Mas já o tiveste de fazer antes… A vida é mesmo assim…”, “Pois é, o que não me faz sentir melhor…”, “Mas sabes que estarei aqui para tudo?”, “Sei que estás sempre para tudo… Não seria excepção…”
Apaga a luz, sente a escuridão profunda, sente aquele som permanente, aquele murmúrio…
Resta-lhe a imaginação, o sentimento, a mente… Dicotomia, unicidade, pluralidade…


domingo, 10 de abril de 2011

“Quero que sejas o tal…”

“Encontramo-nos lá?” “Claro que sim… Vai à vontade!” “Sabes que te adoro?” “Sei o quanto gosto de ti, e se gostares assim de mim, então, de facto, não me estás a mentir.”
            Quando menos ela esperava, ele surgir espontânea e irreversivelmente na sua vida; Quando ela pensava não voltar a sentir o que chamava de arrepio, este surgiu de forma abismal e profunda. Ele fez com que tudo valesse a pena na vida dela, fez com que as suas escolhas tivessem, naquele momento, todo o significado e mais algum; humedeceu toda a forma de pensar dela e rejuvenesceu qualquer ruga que existisse no seu estado de espírito.
            Chamam-lhe tanta coisa mas ela prefere referir-se a isso como o melhor que lhe aconteceu; sente-se segura das acções e, para além disso, cada gesto é a imensidão.
            O olhar cruza-se a cada instante, os lábios tocam-se a cada momento, as emoções sobressaem a cada gesto e ela sente que tudo vale a pena. Cada toque, cada expressão, cada sorriso…
            “Sabes o quanto detesto que desconfies de mim…” “Apenas não te quero perder… Apenas quero que sejas o tal… E confio, confio em ti…”
            Ela quer chamar a todo este enredo de algo, quer nomear esta felicidade, quer designá-la de algo… Mas como? Em quê que se tornou aquele rapaz para ela? Muita coisa  simultaneamente, mas deve haver algo de muito forte que sobressaia de toda esta magia! Felicidade? Alegria? Ânimo?
            Talvez seja convicção! Convicção de que é ele! Convicção de que agora tudo valerá a pena…
            “Ai Amor, que seria de ti sem mim? Se não fosse eu…” “Pronto minha linda, realmente és a minha salvação nuns momentos e a perdição noutros…”
            Ela quer continuar a ser exactamente assim; Ela quer ser tudo de todas as formas e feitios; Ela fará de tudo para continuar a ser salvação e perdição… E, assim, certamente, atingirá o clímax da felicidade… Assim, perderá a respiração em todos os instantes em que ele estiver por perto… Assim, ela será feliz… 
            Ela está sequiosa para o fazer sentir tudo o que ele deseja… E a ansiedade traz tudo! Ela nunca se vai esquecer que desejar algo com muita força faz com que isso se realize, efectivamente… E, graças a isso, ela é feliz…  
            “Vamo-nos dar lindamente, estou mesmo a ver…”

 

terça-feira, 15 de março de 2011

“Ligo-te quando chegar!”


“Anda! Olha que já se faz tarde!”; “Não te preocupes! Ainda vou a tempo! Tanta pressa!”.
“Querida, tens tudo?”; “Sim! Já tenho tudo direitinho…”.
          A vida é feita de regras, de objectivos, de sentimentos que despertam no ser humano uma sensação de insatisfação nos momentos em que não se consegue concretizar o que se tem em mente. É por isso que ela se sente feliz… Apesar do cansaço, da quantidade de trabalho que tem, das dificuldades amorosas por que passa, ela sente-se concretizada, porque faz tudo o que está ao seu alcance para atingir o sucesso!
          “Já vamos tarde… Se perderes o autocarro não sei como vai ser!”; “Já disse que ainda chegamos a tempo! Mas bem que podia levar o carro esta semana…”; “Tem juízo filha! Assim é mais seguro… E fico tão mais sossegada…”
          Ela é um modelo de pessoa… Pensa sempre nos que a amam em primeiro lugar; Muitas vezes dá-se por ela sentada, à beira do mar, a pensar no quão importante é a sua família… Os seus pais são os pilares, são os sustentáculos… Os exemplos! Descobriu há pouco que o seu futuro noivo está apaixonado por uma outra moça e, mesmo assim, supera a dor, a angústia; Tenta olhar para a vida com um sorriso, tenta ver os pontos positivos da situação (que é, de todo, constrangedora). Está a ultrapassar este obstáculo, depois de tantos que teve de transpor. Mas ela é forte! Ela supera tudo (pelo menos, é o que sempre toda a gente diz; pelo menos, é aquilo em que queremos acreditar…)!
          A sua vida profissional está estável (é o que a faz ficar com a auto-estima mais elevada); desejara esta estabilidade há muito e, finalmente, tinha chegado a sua altura … Afinal, quem espera sempre alcança, dizem por aí…
            “Pronto, viste como chegamos a tempo? Mas… Tanta gente! Quererão todas estas pessoas ir para Lisboa?”
            Ela fez o que sempre fazia quando chegava à garagem dos autocarros: fila, compra do bilhete, nova fila para a entrada do autocarro… Àquela hora partiam sempre dois, uma vez que o número de pessoas a realizar aquela viagem era significativo… Ela foi a última pessoa a entrar no primeiro autocarro! “Que sorte, filha! É que a mala já estava neste autocarro!”; “Ligo-te quando chegar! Já disse que vos adoro?”
A vida consegue ser tão boa e tão má… Tão mágica e tão nefasta… Tão concreta e tão abstracta…
            “Estou?”; Fez-se um silêncio… Seguiu-se um processo de assimilação do acontecimento… Este silêncio deu origem a um sentimento que apertava o peito daquela mãe…
            “Sinto muito… Mas o primeiro autocarro sofreu um acidente… Sinto muito pela sua filha…”
            “Pó, cinza e nada…”
            

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Aquele encanto...

Foi naquele momento que o olhar de ambos se cruzou… Foi nesse mesmo instante que o coração dela saltou do peito. Ele ficou incrédulo, sem saber como reagir, sem saber o que pensar, sem saber como respirar, sem saber como estar em pé, sem saber o que deveria saber… Um olhar com mais poder que uma palavra, que mil palavras, que duas mil palavras, que uma legião; Um olhar profundo, arrepiante, singelo, puro, real mas simultaneamente misterioso e fantasioso…
A magia envolveu aqueles dois segundos; o tempo parou e tudo o resto deixou de existir… Momentânea e rapidamente todas as pessoas desapareceram… Todas as pessoas que os rodeavam deixaram de estar presentes, de ser importantes, de terem peso sobre eles, de interessar. Só eles, só eles importavam… Aquele rápido momento tinha sido crucial, tinha sido tudo o que cada um esperava que acontecesse…
Só eles…
Aquele olhar… Aquela expressão de ambos tinha consumido cada reacção, cada possível reacção, cada reacção provável.
Por que damos constantemente importância a factores sem interesse? Por que esperamos por aquela reacção? Por que esperamos por aquele momento para agir? Tanta coisa espontânea e involuntária… Tanta fantasia… Por que procurar a realidade quando podemos viver um sonho? Por que sofrer quando podemos ser mais felizes que nunca? Por que suplicar, quando a súplica rebaixa, faz sofrer, faz pensar (de mais), faz viver de forma nefasta?
Só eles…
Eu quero viver mas, antes disso, quero sonhar e fantasiar, ser eu própria, ser assim… Ser dessa forma… Ser…
Aproximaram-se sem dar importância ao que os rodeava – para eles nada mais existia naquele momento. Foi nesse instante que ele afastou a madeixa dela para trás da sua orelha e a olhou mais uma vez nos olhos (mais profundamente ainda)…
Só eles… Apenas eles importavam…
“Por que estás a reagir assim comigo?”
“A tua doçura encanta-me…”
“Não me conheces o suficiente para o dizer…”
Posso não conhecer a totalidade da doçura, mas conheço o suficiente para ser bastante.”
Um sonho ou uma realidade? Um conjunto de emoções, um livro repleto de cores vivas, de palavras entusiasmantes, de emoções… Se é uma coisa ou outra não tem importância… Para mim, não tem importância!
Aquele encanto…



sábado, 29 de janeiro de 2011

Uma realidade obscura

Eles conversavam, riam-se juntos, divertiam-se… A amizade era grande e a vontade de estarem juntos era ainda maior. A boa disposição tomava conta deles, o carinho cercava-os, a harmonia era um facto na “relação” deles.
Ela, realmente, via-o como um grande amigo e sentia que se algo se passasse com ela, esse amigo estaria sempre por perto. Por este facto, talvez deixasse que as coisas avançassem de uma forma que não se apercebia, de uma forma que não controlava; encarava a situação normalmente pois, afinal de contas, era uma grande amizade que os unia.
            Há amizades e amizades, há carinho e carinho, há afecto e afecto. Há designações iguais perante situações diferentes, perante pessoas diferentes, perante opiniões e espiritualidades diferentes. Há sempre de tudo um pouco, e há sempre algo que se pode acrescentar (mesmo que, firmemente, não se queira); há momentos em que tudo conta, em que o silencio se torna mais importante que um diálogo vincado, em que um olhar explica o que se está a sentir, em que um toque demonstra o que está por detrás daquele impulso.
O que importa é o sentir, o deixar sentir, o querer sentir… O que importa é tudo isto, e tudo o que mais pode existir.
            Ela não se apercebia do quão envolvido ele estava, no quão importante ela se estava a tornar para ele, no quanto significava na sua vida. Ela já era tanto, e ele, um amigo verdadeiro, uma boa pessoa. Amizade, amizade, amizade.
            Naquela noite ele decidiu que aquilo não poderia continuar assim. Aquele fim não era o que ele queria… Queria mais, muito mais. Queria ser mais do que um mero amigo; queria dar mais do que um carinho momentâneo, um beijo oportuno, um toque ocasional.
            Seguiu-a até casa, sem que ela se apercebesse… Tentou abordá-la quando ela abriu a sua bolsa para retirar a chave de casa, mas não conseguiu. Entrou no carro, vagueou nos seus pensamentos… Arrancou e decidiu que não poderia continuar naquele impasse. Dirigiu-se à florista mais próxima, comprou um lindo ramo de orquídeas e decidiu que, após o jantar, iria a casa dela dizer tudo o que estava a sentir, demonstrar-lhe o quão importante ela se tivera tornado.
            Dirigiu-se, então, pela segunda vez a casa dela. Sentiu que seria a hora certa. (Hora certa? Mas hora certa de quê? Pergunto isto porque já sei como as coisas se vão desenrolar…)
            Buzinou vezes suficientes para a fazer abrir a porta com a finalidade de ver o que se estaria a passar… Espreitou para fora, ele saiu do carro juntamente com aquelas flores lindíssimas… Ele disse que não poderia esconder mais o que sentia, que não fazia sentido viver sem que afirmasse que, efectivamente, a amava…
            “Amor, afinal de contas quem é que está a buzinar?”
            Ela deita uma lágrima e diz ao seu mero “amigo”: “Volta para casa! Falamos depois.”


sábado, 1 de janeiro de 2011

Florescer com ela…

Estou deitada… Não oiço um carro, não oiço um grito, não oiço um suspiro, não oiço um riso, não oiço uma palavra, não oiço um sopro! Não oiço…
Estou pensativa… Não vejo luzes, não vejo carros, não vejo pessoas, não vejo sorrisos, não vejo lágrimas! Não vejo…
Tento concentrar-me em algo… Em algo que não existe! Em algo que me transcende… Tento concentrar-me numa pessoa… Naquela pessoa que imagino mas que não existe ou que pelo menos não existe comigo! Tento, simultaneamente, abstrair-me desta reflexão e pensar em mim! Só em mim! Mas não dá… Não quero! Assim, não quero!
Quero mais… Bem mais do que apenas uma mera personagem! Quero um diálogo! Não estou interessada em monólogos… Quero um toque de magia, um sinal, uma amostra do que pode vir a ser uma vida! Quero um sorriso, um olhar, um realce daquilo que pode ser uma perfeição!
Quero sentir aquelas ondas à medida que o sol me aquece! Quero enrolar-me na areia e ficar molhada! Quero enrolar-me na água e ficar seca! Quero ver-te, minar-te. De longe, de perto, ao vivo, na televisão, a cores, a preto e branco – afinal, qual a cor da felicidade? –, a rires, a chorares, a olhar-me, a imaginar-me, a afigurar-me, a idealizar-me… Seja de que forma for! Eu quero ver-te!
Quero sentir calor, quero sentir frio, quero sentir arrepios, quero sentir-me protegida, quero proteger, quero tudo! Quero tudo, seja de que forma for…
Quero ânimo, família, amor, carinho, aconchego, paz… Quero ser eu! Acima de tudo não quero deixar de ser quem sou… Quero que alguém leia este texto e o interprete correctamente – e que não faça um filme digno de cinema ou redija um livro que se torne um best-seller! –, quero que o vejam com a mente aberta…
Quero brilhar, quero escurecer quando assim tiver de ser, quero que me chamem à razão, quero que sejam sinceros comigo, quero que, acima de tudo, saibam da minha existência e do poder que posso adquirir e sentir em determinado momento!
Quero tudo o que tenho tido e mais alguma coisa… Desejo que leias este texto e te arrepies… Tu, ele, ela, aqueles, aquelas… Aqui, ali, além! Desejo que idealizes cada situação da tua vida em que te sentiste fraco, forte, alegre, triste, sensato, sensível… Quero que analises a tua vida como um todo, como uma maravilha sem fim mas, ao mesmo tempo, como um lugar onde facilmente podes cair…
Mas, querer é fácil? Será que é? Não… Já é tanto… E é por isso que escrevo! Porque quero mais, porque quero tanta coisa que nem sei o que desejo em primeiro!
            Estou a recordar-me daquela lágrima que caiu sem eu dar licença, daquele abraço que me foi dado sem que eu o idealizasse, daquele sorriso que me foi dado, daquela dor que senti, daquela desafinação, daquela afinação, daquele pedido que me foi feito, daquela palavra mal dada, daquele ombro amigo, daquela chamada contínua, daquela chamada momentânea, daquela chamada que não existiu, daquela maneira de me tratar, do “Selminha”, do “madrinha”, do “maninha”, do “meu anjo”, do “pequenina”, do “mokinhas”, daquele sono que não vinha (nem vem!), daquele toque, daquela explicação, daquele olhar, daquela luz que não apareceu, do amanhecer daquele dia, do anoitecer… Para além de tudo isto, estou a lembrar-me das surpresas constantes, das mensagens encorajadoras, das palavras arrepiantes… Estou a recordar-me de tantos momentos… De momentos em que tu, muito provavelmente, participaste!
            Aqui estou eu… A divagar? A entristecer? A empobrecer? Não… Estou a reflectir e estou contente por tudo o que tenho passado…
            Ainda oiço o silêncio (afinal, oiço alguma coisa…)! É algo bom de se ouvir em determinados momentos da vida! Dou-me bem com ele! E quero dar-me bem com todos os odores da vida, com todos os espinhos do futuro, com todos os sarilhos do passado, com todos os instantes do presente…
            Quero aquela semente na minha mão! Quero florescer com ela…